É tão fácil ser feliz quando somos assim de tenra idade, ainda que cada vez mais exigentes, ainda que queiramos sempre muito mais, se pararmos um minuto percebemos que podemos tudo, que temos tudo! (e poderia falar deste "podemos tudo (...) temos tudo" mas fica para mais tarde). Mas depois crescemos, depois tornamo-nos sérios, sisudos e perdemos a capacidade de ser tudo o que queremos ser, porque "isso já parece mal na minha idade", adultos deste mundo VIVAM, vivam até ao último minuto que possam, e sejam independentes até esse mesmo último minuto. É que em adultos com filhos ou não, com marido/mulher ou não ainda somos livres, ainda temos toda a nossa dignidade, e fugimos à solidão, fugimos à tristeza, assim do modo que quisermos.
Mas há uma altura na nossa vida que todos tememos (julgo eu). Essa, essa mesma, não esperem não é a morte. É a doença! Ai pessoas, a doença. Essa que nos rouba a vida, que nos faz sobreviver tão duramente. Essa cruel, essa triste, essa P***! Essa aí, leva-nos ao nosso mais duro pormenor interior, esse de que sempre nos arrependemos, aquele que tornou diferente a nossa vida, o mesmo que nos atormentava quase todas as noites em casa mas que esquecíamos com o carinho do/a nosso/a companheiro/a, ou do/a filho/a, ainda talvez com a televisão, com um livrou ou com o trabalho.
Mas (PORRA!) num quarto de hospital não há o calor de quem gostamos (sabem?!), não há o cheiro da nossa casa que sempre nos consolava. O hospital é o lugar da solidão, é lugar onde nos encontramos (às vezes no fim da nossa vida) com nós mesmos. E sabem onde está a diferença? Sabem onde está a m**** da diferença? É, é exactamente nesses míseros dez minutos que perdemos no mundo, cá fora.
Lá dentro é cruel. E é tão fácil melhorar um bocadinho o dia de alguém que muitas vezes fez tanto por nós na vida, às vezes é o nosso pai, outras a nossa mãe, um avô ou um tio, um amigo, seja quem for. É difícil ver do lado de cá o rosto envelhecido, triste, esquecido, frustrado de alguém que espera por alguém que não vem, de um pai que bebe agua por uma palhinha e diz: "a minha filha trás agua". Mas a filha não chega. A filha não chegou.
É por isto que eu peço: POR FAVOR VÃO! Ainda que por dez minutos, e levem uma garrafa de agua! Ainda que com todos os contratempos, ainda que com todos os compromissos, ainda que a nossa vida esteja um desatino, é porque a vida num hospital é difícil! E uma visita faz dessas pessoas pessoas mais dignas, mais esperançosas, mais Felizes. O tempo lá não passa, mas o mundo não pára.

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